A noite passa, noivando.
Caem ondas de luar.
Lá passa a doida cantando
Num suspiro doce e brando
Que mais parece chorar!
Dizem que foi pela morte
D'alguém, que muito lhe quis,
Que endoideceu. Triste sorte!
Que dor tão triste e tão forte!
Como um doido é infeliz!
Desde que ela endoideceu
(Que triste vida, que mágoa!)
Pobrezinha, olhando o céu,
chama o noivo que morreu,
Com os olhos rasos d'água!
E a noite passa, noivando.
Passa noivando o luar:
"Num suspiro doce e brando,
Pobre doida vai cantando
Que esse teu canto, é chorar!"
Blog criado e destinado aos amantes das artes, da poesia, da música, da leitura, do amor!
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011
segunda-feira, 30 de maio de 2011
O Amor Oculto - Nei Leandro de Castro
Um poema do aniversariante do dia: NEI LEANDRO DE CASTRO.
Pra quem não o conhece (e seguindo um pedido da minha amiga Debs), um pouco da Biografia dele: é um escritor brasileiro, particpante do movimento poema/processo. É formado em direito, mas dedicou-se à publicidade. Foi um dos fundadores da revista natalense CACTUS. Tem vários livros de poesia publicados, boa parte deles voltada para o erotismo, como Zona Erógena e Era uma Vez Eros. No gênero romance, escreveu O Dia das Moscas, As Dunas Vermelhas e As Pelejas de Ojuara, este inspirado na cultura popular sertaneja, foi premiado pela União Brasileira de Escritores e adaptado ao cinema em 2007 sob o nome O Homem que Desafiou o Diabo. Em 2009, lançou seu último livro: A Fortaleza dos Vencidos.
Onde se oculta o amor oculto?
Nas franjas do mar? Na cortina dos cabelos?
Faz bem à alma tocar o seu corpo ou simplesmente vê-lo.
O amor oculto tem um sorriso que lembra sons de flauta e de guizos.
Seus olhos escuros, dissimulados, são promessas de ternura, carícias e pecados.
O amor oculto percorre caminhos, trilhas, ama a natureza e é livre, solto, felino como uma tigresa.
Como se veste o amor oculto?
Roupas escuras? Calça jeans? Blusa amarela?
Se é oculto, como dizer o nome dele ou dela?
Como me surge esse amor oculto? De que jeito?
Tem uma dália tatuada sobre o peito? Escala falésias?
Dança conduzida pelos vinhos?
Devora com prazer, muito prazer, a sobremesa?
O amor oculto sonha como poeta e quase foi princesa.
Quero que o seu sorriso e seu olhar me afaguem com a doçura e a delicadeza dos bombons da Kopenhagen.
O amor oculto se esconde em montanhas, se perde na neblina, mas seu sorriso permanece e ilumina.
É ninfa de patins dobrando a primeira esquina.
O amor oculto surge, sem pedir licença, nas minhas horas matinais.
E permanece pela tarde, pela noite, e quer mais, sempre quer mais.
O amor oculto é tranqüilo, discreto, não gosta de palavrão, exceto os gritados nas horas desvairadas da paixão.
É embriaguez em loja de louças, absinto em xícaras azuis.
O amor oculto emerge de crateras, quimeras, vestido de luz.
O amor oculto faz questão de não ser, não estar, não vir à tona.
De repente, monta e grita e esporeia e cavalga como uma amazona.
Pra quem não o conhece (e seguindo um pedido da minha amiga Debs), um pouco da Biografia dele: é um escritor brasileiro, particpante do movimento poema/processo. É formado em direito, mas dedicou-se à publicidade. Foi um dos fundadores da revista natalense CACTUS. Tem vários livros de poesia publicados, boa parte deles voltada para o erotismo, como Zona Erógena e Era uma Vez Eros. No gênero romance, escreveu O Dia das Moscas, As Dunas Vermelhas e As Pelejas de Ojuara, este inspirado na cultura popular sertaneja, foi premiado pela União Brasileira de Escritores e adaptado ao cinema em 2007 sob o nome O Homem que Desafiou o Diabo. Em 2009, lançou seu último livro: A Fortaleza dos Vencidos.
O AMOR OCULTO, por Nei Leandro de Castro
Onde se oculta o amor oculto?
Nas franjas do mar? Na cortina dos cabelos?
Faz bem à alma tocar o seu corpo ou simplesmente vê-lo.
O amor oculto tem um sorriso que lembra sons de flauta e de guizos.
Seus olhos escuros, dissimulados, são promessas de ternura, carícias e pecados.
O amor oculto percorre caminhos, trilhas, ama a natureza e é livre, solto, felino como uma tigresa.
Como se veste o amor oculto?
Roupas escuras? Calça jeans? Blusa amarela?
Se é oculto, como dizer o nome dele ou dela?
Como me surge esse amor oculto? De que jeito?
Tem uma dália tatuada sobre o peito? Escala falésias?
Dança conduzida pelos vinhos?
Devora com prazer, muito prazer, a sobremesa?
O amor oculto sonha como poeta e quase foi princesa.
Quero que o seu sorriso e seu olhar me afaguem com a doçura e a delicadeza dos bombons da Kopenhagen.
O amor oculto se esconde em montanhas, se perde na neblina, mas seu sorriso permanece e ilumina.
É ninfa de patins dobrando a primeira esquina.
O amor oculto surge, sem pedir licença, nas minhas horas matinais.
E permanece pela tarde, pela noite, e quer mais, sempre quer mais.
O amor oculto é tranqüilo, discreto, não gosta de palavrão, exceto os gritados nas horas desvairadas da paixão.
É embriaguez em loja de louças, absinto em xícaras azuis.
O amor oculto emerge de crateras, quimeras, vestido de luz.
O amor oculto faz questão de não ser, não estar, não vir à tona.
De repente, monta e grita e esporeia e cavalga como uma amazona.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Poesia "Hate to Love" - por Scarlet Forte
Uma poesia escrita originalmente em inglês. A tradução se segue abaixo. Espero que gostem.
Hate to Love
I hate this darkness
I hate the way you treat me
I hate this love game
(I hate love games, indeed...)
I hate the fact of you call me only when you want
I hate the way you look at me
I hate when you try to kiss me
I hate the fact of you...
Of you don't want me as your girl!
I hate when you make me cry
I hate the sound of your voice
I hate to be gently dismissed
And I really hate
Deeply hate to love you
And you don't deserve it!
You don't deserve a girl like me...
You don't deserve ME!
Scarlet Forte - 08/04/2011
-----------------------------------------
TRADUÇÃO
ÓDIO DE AMAR
Odeio essa escuridão
Odeio o jeito que você me trata
Odeio esse joguinho de amor
(De fato, odeio jogos de amor...)
Odeio o fato de você me ligar apenas quando quer
Odeio o jeito que você me olha
Odeio quando você tenta me beijar
Odeio o fato de você...
De você não me querer como sua garota!
Odeio quando você me faz chorar
Odeio o som da sua voz
Odeio ser gentilmente dispensada
E eu realmente odeio
Profundamente odeio amar você
E você não merece!
Você não merece uma garota como eu...
Você não ME merece!
Scarlet Forte - 08/04/2011
I hate this darkness
I hate the way you treat me
I hate this love game
(I hate love games, indeed...)
I hate the fact of you call me only when you want
I hate the way you look at me
I hate when you try to kiss me
I hate the fact of you...
Of you don't want me as your girl!
I hate when you make me cry
I hate the sound of your voice
I hate to be gently dismissed
And I really hate
Deeply hate to love you
And you don't deserve it!
You don't deserve a girl like me...
You don't deserve ME!
Scarlet Forte - 08/04/2011
-----------------------------------------
TRADUÇÃO
ÓDIO DE AMAR
Odeio essa escuridão
Odeio o jeito que você me trata
Odeio esse joguinho de amor
(De fato, odeio jogos de amor...)
Odeio o fato de você me ligar apenas quando quer
Odeio o jeito que você me olha
Odeio quando você tenta me beijar
Odeio o fato de você...
De você não me querer como sua garota!
Odeio quando você me faz chorar
Odeio o som da sua voz
Odeio ser gentilmente dispensada
E eu realmente odeio
Profundamente odeio amar você
E você não merece!
Você não merece uma garota como eu...
Você não ME merece!
Scarlet Forte - 08/04/2011
Esta sou eu!
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Ah, O Amor - por José Nêumanne Pinto
A caridade nunca há de acabar, mas as profecias passarão, as línguas cessarão e a ciência será abolida. (Epístola de S. Paulo aos Coríntios, I, 13;8)
Amor é fogo que arde sem se ver (Luís de Camões)
O amor vem
e o amor vai:
quem ama entra,
mas quem ama sai;
quem ama crê,
mas quem ama trai;
quem ama voa,
mas quem ama cai.
O amor nasce do nada
sem uma semente sequer:
não há lei que o impeça
nem norma que o proteja.
O amor é um doce de batata
e tem o sal de todo o mar
no esperma que escorre
e na lágrima que desliza:
o amor paralisa.
Quem ama dança
ao som do silêncio;
quem ama salta
do alto sem rede;
quem ama improvisa
até os caprichos.
O amor nasce do parco:
como um eremita no ermo,
nutre-se de muito pouco
para quase tudo alimentar.
Quem ama não cala,
mas consente;
quem ama só fala
aquilo que sente;
quem ama zela,
aceita e mente.
Amor é presente:
compõe-se de encontros
e acaba em ressentimento,
mantendo-se a todo custo
a força do sentimento.
Eu amo e temo,
tu amas demais,
ele ama a luta
e ela ama a paz.
Nós amamos muitos,
vós amais iguais,
eles amam brutos
e elas amam mais.
Quem ama não pensa
- só recompensa.
Quem ama compensa
e nunca dispensa.
Quem ama está tenso
- um fio suspenso.
Amor é febre
que não passa.
Amor é graça
que desgraça.
Amor é sorte
na trapaça.
Amar é perceber
o que ninguém vê.
Amar é se esconder
no meio da massa.
Amar é aparecer
quando ninguém espera mais.
Amar é dar
e conhecer.
Amar é ser
e receber.
Amor é música,
não é máquina,
amor sem camisa
- suor molha a pele.
Amor a palo seco,
amor a sós;
amores a dois,
a três, a cinco,
o diabo a quatro
(não é o amor teatro?)
O amor derrete
e o amor constrói.
O amor permite
e o amor destrói.
O amor comete
e o amor corrói.
Os eleitos do amor
são sonsos e santos,
são tantos e tontos,
de uma tontura solta,
de uma tontura bela,
que revela
a desarmonia do Caos
e persegue
a harmonia do mundo.
O amor morre ao relento,
como rebanho sem pasto:
não há passado que o ampare
nem futuro que o precipite.
José Nêumanne Pinto
Amor é fogo que arde sem se ver (Luís de Camões)
O amor vem
e o amor vai:
quem ama entra,
mas quem ama sai;
quem ama crê,
mas quem ama trai;
quem ama voa,
mas quem ama cai.
O amor nasce do nada
sem uma semente sequer:
não há lei que o impeça
nem norma que o proteja.
O amor é um doce de batata
e tem o sal de todo o mar
no esperma que escorre
e na lágrima que desliza:
o amor paralisa.
Quem ama dança
ao som do silêncio;
quem ama salta
do alto sem rede;
quem ama improvisa
até os caprichos.
O amor nasce do parco:
como um eremita no ermo,
nutre-se de muito pouco
para quase tudo alimentar.
Quem ama não cala,
mas consente;
quem ama só fala
aquilo que sente;
quem ama zela,
aceita e mente.
Amor é presente:
compõe-se de encontros
e acaba em ressentimento,
mantendo-se a todo custo
a força do sentimento.
Eu amo e temo,
tu amas demais,
ele ama a luta
e ela ama a paz.
Nós amamos muitos,
vós amais iguais,
eles amam brutos
e elas amam mais.
Quem ama não pensa
- só recompensa.
Quem ama compensa
e nunca dispensa.
Quem ama está tenso
- um fio suspenso.
Amor é febre
que não passa.
Amor é graça
que desgraça.
Amor é sorte
na trapaça.
Amar é perceber
o que ninguém vê.
Amar é se esconder
no meio da massa.
Amar é aparecer
quando ninguém espera mais.
Amar é dar
e conhecer.
Amar é ser
e receber.
Amor é música,
não é máquina,
amor sem camisa
- suor molha a pele.
Amor a palo seco,
amor a sós;
amores a dois,
a três, a cinco,
o diabo a quatro
(não é o amor teatro?)
O amor derrete
e o amor constrói.
O amor permite
e o amor destrói.
O amor comete
e o amor corrói.
Os eleitos do amor
são sonsos e santos,
são tantos e tontos,
de uma tontura solta,
de uma tontura bela,
que revela
a desarmonia do Caos
e persegue
a harmonia do mundo.
O amor morre ao relento,
como rebanho sem pasto:
não há passado que o ampare
nem futuro que o precipite.
José Nêumanne Pinto
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